Efeito do treino específico de coordenação no desempenho de jovens jogadores de futebol: uma revisão sistemática
DOI:
https://doi.org/10.47197/retos.v81.116996Palavras-chave:
Crianças, futebol, coordenação motora, desempenho, juventudeResumo
Introdução: O futebol é um desporto complexo e dinâmico, em que a coordenação motora desempenha um papel fundamental no desenvolvimento do jogador, contribuindo para o aperfeiçoamento das capacidades técnicas, da eficiência dos movimentos e da adaptabilidade a ambientes de jogo dinâmicos.
Objectivo: Esta revisão sistemática teve como objectivo analisar os efeitos do treino específico de coordenação no desempenho de jovens jogadores de futebol.
Metodologia: Foi realizada uma pesquisa sistemática nas bases de dados PubMed, Scopus, Web of Science e SPORTDiscus, seguindo as diretrizes PRISMA de 2020. Foram selecionados estudos que incluíram jovens futebolistas (6 aos 18 anos) com intervenções especificamente direcionadas para o desenvolvimento da coordenação. A qualidade metodológica e o nível competitivo dos participantes foram avaliados através, respetivamente, da escala de Downs e Black (1998) e da estrutura de classificação de DeWeese et al. (2015).
Resultados: O treino específico de coordenação melhorou as capacidades técnicas, a agilidade, o equilíbrio e a coordenação motora geral em jovens jogadores. Os quatro estudos incluídos obtiveram uma pontuação entre 20 e 23 (boa qualidade). Os instrumentos mais frequentemente utilizados foram as ferramentas padronizadas (MABC-2, KTK) e as tarefas específicas de coordenação com a bola.
Discussão: Os resultados são consistentes com a literatura sobre os efeitos positivos do treino de coordenação; no entanto, a heterogeneidade nos protocolos e métodos de avaliação limita a comparação direta entre estudos. O nível competitivo dos participantes foi identificado como um fator moderador relevante.
Conclusões: As intervenções focadas na coordenação parecem eficazes na melhoria das variáveis de desempenho em jovens jogadores de futebol. Recomenda-se a uniformização dos protocolos de avaliação, a consideração do nível competitivo na interpretação dos resultados e a investigação dos efeitos a longo prazo dos programas de formação baseados na coordenação.
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