Barreiras e facilitadores à prática de exercício físico em idosos institucionalizados: um estudo de métodos mistos
DOI:
https://doi.org/10.47197/retos.v80.118355Palavras-chave:
Barreiras ao exercício, diabetes, facilitadores do exercício, institucionalização, idososResumo
Introdução: Os idosos institucionalizados estão entre os segmentos mais vulneráveis da população e apresentam, frequentemente, baixos níveis de atividade física. A participação em exercícios pode ser influenciada por barreiras e facilitadores percebidos; no entanto, poucos estudos exploraram o impacto destes determinantes nesta população.
Objectivos: Identificar e caracterizar os desafios, as barreiras e os facilitadores para a participação em exercícios, segundo a percepção de idosos institucionalizados com diabetes.
Metodologia: Este estudo adotou uma abordagem convergente de métodos mistos e foi conduzido em cinco instituições, com um total de 27 participantes. A recolha de dados seguiu três fases: aplicação de um questionário sociodemográfico e clínico, entrevistas de focus group e avaliação quantitativa através da Escala de Benefícios e Barreiras ao Exercício (EBBS).
Resultados: A amostra incluiu 9 mulheres e 18 homens, com idades compreendidas entre os 72 e os 97 anos. As principais barreiras identificadas foram a dor, a fadiga e as limitações físicas, a perceção de falta de tempo e o acesso limitado a instalações. Os principais facilitadores incluíram o prazer, as emoções positivas, o apoio social e a melhoria da mobilidade. Os participantes relataram benefícios percebidos tanto para a saúde física como para a mental, enquanto um desafio significativo foi o reconhecimento limitado do exercício como estratégia de controlo da diabetes.
Conclusão: O controlo da diabetes em idosos institucionalizados requer a integração do exercício como componente essencial. Os programas de exercício eficazes nesta população devem combinar intervenções educativas, ambientes físicos adequados, profissionais de saúde qualificados e uma rede de apoio social. Este estudo contribui para a base de evidências ao identificar barreiras e facilitadores multidimensionais à participação em exercício nesta população, fornecendo orientações para o desenvolvimento de intervenções mais personalizadas e eficazes.
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