Correlação entre a distribuição da pressão plantar e o padrão da curva na escoliose idiopática do adolescente
DOI:
https://doi.org/10.47197/retos.v79.119077Palavras-chave:
Escoliose idiopática do adolescente, pressão plantar, baropodometria, equilíbrio postural, biomecânicaResumo
Introdução. A escoliose idiopática do adolescente (EIA) é uma deformidade tridimensional da coluna vertebral que afeta o controlo postural e a distribuição da pressão plantar, mas a relação entre padrões específicos de curvatura e a carga nos pés ainda é pouco compreendida.
Objectivos: Avaliar como os padrões de curvatura torácica e lombar influenciam a distribuição da pressão plantar nos planos coronal e sagital.
Metodologia: Oitenta e seis adolescentes com EIA moderada (ângulo de Cobb ≈38°) foram recrutados prospectivamente e categorizados em dois grupos: grupo torácico (n=43; Lenke tipo 1) e grupo lombar (n=43; Lenke tipo 5). A pressão plantar estática foi medida utilizando a plataforma de pressão computorizada FreeMed® (Sensor Medica, Roma, Itália). Os desfechos primários incluíram a percentagem do peso corporal no lado côncavo versus convexo (plano coronal) e no antepé versus retropé (plano sagital).
Resultados: Observou-se uma forte correlação positiva entre o padrão da curva e a distribuição da pressão coronal (R = 0,853; p < 0,001; IC 95%: 0,781–0,905), com o peso a deslocar-se consistentemente para o lado côncavo. As curvas torácicas apresentaram uma carga de concavidade significativamente mais elevada (54,9% ± 2,4%) em comparação com as curvas lombares (52,5% ± 2,1%; diferença média = 2,4%; p < 0,001). Observou-se uma correlação moderada entre o ângulo de Cobb e a assimetria (R = 0,412; p = 0,023). Não foi encontrada correlação significativa no plano sagital (R = 0,064; p = 0,547).
Conclusões: A localização da curva no eixo longitudinal anterior (ALIA) determina significativamente a carga plantar coronal, sendo que as curvas torácicas produzem maior assimetria do que as curvas lombares. A distribuição no plano sagital permanece inalterada pelo padrão da curva. Estes achados corroboram a integração da baropodometria na avaliação clínica e o desenvolvimento de protocolos de reabilitação específicos para cada curva.
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