Gatinhar e desenvolvimento motor na educação de infância: revisão e implicações educativas
DOI:
https://doi.org/10.47197/retos.v85.119957Palavras-chave:
Desenvolvimento motor, educação pré-escolar, gatinhar, integração sensório-motora, locomoçãoResumo
Introdução: Nos primeiros anos de vida, o movimento independente altera a forma como as crianças exploram o espaço, se aproximam dos objetos e interagem com os outros. Neste processo, o gatinhar é muitas vezes encarado de duas formas pouco úteis para a educação: como uma fase menor antes de andar ou como um pré-requisito para o desenvolvimento posterior.
Objectivo: Rever o papel funcional do gatinhar e da locomoção independente precoce no desenvolvimento motor infantil e extrair orientações aplicáveis ao planeamento de ambientes de aprendizagem motora na educação de infância.
Metodologia: Foi realizada uma revisão narrativa da literatura publicada até abril de 2026, juntamente com obras clássicas relevantes. A síntese final incluiu 27 estudos: 16 fontes principais sobre locomoção e desenvolvimento motor precoce e 11 fontes teóricas ou educativas para contextualizar a sua aplicação à faixa etária dos 0 aos 6 anos.
Resultados: A literatura revista não justificou considerar o gatinhar como um marco obrigatório ou como uma condição essencial para andar. Permitiu reconhecer o gatinhar como uma experiência locomotora rica que envolve coordenação contralateral, estabilidade proximal, transferência de peso, regulação postural, exploração percetiva e adaptação ao meio. Discussão: Os resultados foram consistentes com as abordagens dinâmicas e ecológicas do desenvolvimento e realçaram a importância do gatinhar nos processos corporais que organiza, e não numa única sequência evolutiva.
Conclusões: Numa perspetiva educativa, o valor do gatinhar reside não em reproduzi-lo artificialmente, mas em projetar espaços, momentos e materiais que promovam movimentos autónomos, variados e significativos durante a infância.
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